Prefeitos e vereadores de 10 cidades da região decidiram, há pouco, bloquear a rodovia na quinta-feira, às 14hs, com duração prevista de uma hora, para pressionar o governo estadual a pagar débitos com fornecedores do Hospital Regional de Sorriso e salários de médicos. A decisão foi tomada em reunião, na prefeitura sorrisense. Prefeitos também vão a Cuiabá pressionar o governo a tomar decisão emergencial. O hospital continua atendendo casos de urgência e emergência. Mas, diante da possibilidade de ser suspenso fornecimento de gás medicinal (oxigênio), a partir da próxima sexta-feira, o hospital pode começar a transferir alguns pacientes. Seriam cerca de 15 que estão em UTI e podem ir para outros hospitais regionais. A partir de amanhã poderia faltar comida, mas o Estado pagou parte dos débitos com fornecedor que continuará comercializando, provisoriamente, alimentos.

Antes da reunião na prefeitura, dos gestores que fazem parte do consórcio do hospital, teve reunião ampliada, na câmara, organizada pelo legislativo sorrisense onde participaram lideranças de entidades, servidores do hospital e não houve consenso para fazer o bloqueio na rodovia, mas outras mobilizações. A diretora do hospital regional, Ligia Leite disse que a unidade não vai fechar as portas. "Vamos resistir até o último minuto. Estamos pedindo aos médicos que sejam mais criteriosos nas internações e tomamos medidas internas para gastar o mínimo possível. Reduzimos comida para acompanhantes e funcionários, cortamos gastos com energia. Mas precisamos de pagamentos. A dívida protocolada na secretaria é de R$ 8 milhões. Ontem, foi pago um supermercado e a gente consegue adquirir comida para mais uma semana. O gás medicinal (oxigênio) terminará na sexta-feira", afirmou. "Temos uma crise e precisamos nos unir. Agradeço a mobilização dos prefeitos, vereadores e lideranças. Não desistam do hospital". Ela concluiu o discurso, emocionada, afirmando que colocou seu cargo a disposição da secretaria.  Foi anunciado, na reunião, que entidades estão fazendo mobilização para conseguir alimentos, gás e outros suprimentos para ajudar o hospital. A quantidade ainda não foi informada.

A secretária adjunta de Saúde, Ines Leite, disse, na câmara, aos gestores e lideranças, que "está sendo feita uma força tarefa, com plano de ação para levar ao secretário Luiz Soares, que assumiu há dois meses, e tem como prioridade resolver problemas financeiros e questão dos medicamentos. Não temos solução mágica. Mas estamos empenhados", afirmou.

Após a manifestação da secretária, o presidente da câmara de Sorriso, Fabio Gavasso, propôs, bloquear a BR-163. "Queria o aval de todos para isso acontecer na quinta-feira. Vamos organizar esse manifesto. Se não temos uma solução, vamos buscar uma medida na marra", declarou. A proposta na rodovia não teve adesão de vários prefeitos e presidentes de câmaras.

O prefeito de Ipiranga do Norte, Pedro Ferronato, se manifestou contrário ao bloqueio. Ele defendeu o governo do Estado e disse que a crise é herdada da gestão anterior. "É preciso cortar repasses da Assembleia, Tribunal de Justiça, cortar pela metade os repasses das prefeituras para a AMM e destinar esses recursos para a saúde", defendeu. Outro prefeito da região também se posicionou contrário ao bloqueio.

Conforme Só Notícias já informou, a prefeita de Sinop, Rosana Martinelli propôs aos colegas prefeitos para ir Cuiabá pressionar o governador Pedro Taques. "Não adianta só o bloqueio sem estar lá e cobrar a solução", defendeu. Antes, em seu discurso, afirmou que "estamos indignados pela falta de respeito. Queremos olhar diferenciado para a saúde do Estado. É instabilidade o tempo inteiro. Essa situação reflete em todas as nossas cidades. Nós, enquanto consórcio, com 15 prefeitos, nos reunimos várias vezes. Essa conta estamos ajudando o Estado pagar. Estamos sobrecarregados. Sabemos que esse governo priorizou várias ações, como segurança. Estamos passando momento difícil porque as prefeituras também estão tendo queda nos repasses (verbas) e esperamos que nosso governador se sensibilize que o maior patrimônio são as pessoas que aqui vivem", discursou.

O prefeito de Itanhangá, Edu Pascoski, foi contrário ao bloqueio. "Vamos ir a Cuiabá, acampar na Assembleia, no Palácio Paiaguás, pressionar os deputados e nos ajudar. O Ferronato está certo que cada um tem que abrir mão de uma parte dos repasses e cobrir o rombo na saúde", propôs.

O presidente da câmara de Sinop, Ademir Bortoli (PMDB), foi contrário ao bloqueio da rodovia e defendeu que seja feita mobilização de vereadores e prefeitos, na próxima terça-feira, para cobrar solução emergencial dos pagamentos dos débitos.

O presidente da AMM (Associação Mato-grossense dos Municípios), Neurilan Fraga, fez discurso, no início do encontro, com duras críticas ao governo, apontando que não priorida a saúde, a arrecadação do ICMS e FPM não caíram de forma significativa. "A priodade é estrada, festa na Arena, vai para Estados Unidos. Estamos trabalhando mudanças na Lei Kandir", discursou e logo foi interrompido. Na platéia, um dos participantes gritou para que ele parasse de "papo furado" e "demagogia". O presidente da câmara, Fabio Gavasso, cortou a palavra de Neurilan. "Não era o foco da reunião", criticou, após Neurilan falar de outros temas.

O diretor técnico do hospital regional, Roberto Yashida, disse que hoje "foi repassada uma parte (verba para quitar dívida) com alimentação. Isso daria para 5 dias. Os médicos estão cinco meses sem receber. Não sei se a culpa é da instituição  (que administra o hospital) ou do governo. Basta de mentiras, de informações errôneas", cobrou.  O diretor clínico do hospital, Rodrigo Bezerra, disse, que, a situação atual da unidade é "absurda. Se continuar desta forma é melhor fechar. Nosso corpo clínico está lá, batalhando", apontou, mencionando que é grande a falta de estrutura. Os débitos com fornecedores e médicos (que estão com salários atrasados) girariam em torno de R$ 8 milhões.

Outro lado

Este ano, o governo estadual já pagou cerca de R$ 9 milhões de dívidas relativas ao ano de 2016.  Em nota enviada ao Só Notícias, ontem à noite, a secretaria estadual de Saúde informou que está liberando "R$ 54 mil para o pagamento de um fornecedor de alimentos para o Hospital Regional de Sorriso. Como a secretaria já havia informado anteriormente, a nota fiscal foi emitida em março deste ano, mas a direção do hospital somente enviou a nota para o financeiro da secretaria neste mês de maio. Uma nota fiscal de outro fornecedor de R$ 13,456 mil enviada este mês, também referente a março, está pendente de pagamento porque faltou uma certidão, que já está sendo providenciada pela direção para que o valor seja pago. Em relação à lavanderia, houve um entendimento para que os serviços sejam mantidos, já que até sexta-feira parte do valor pendente será quitado. A secretaria estadual de Saúde também informa que está fazendo um levantamentos dos pagamentos feitos a fornecedores no período de janeiro e fevereiro mediante bloqueio judicial de R$ 3, 1 milhões para que não haja pagamento em duplicidade, já que a quitação dos débitos é feita diretamente pela direção dos hospital".

 

Fonte:http://www.sonoticias.com.br/noticia/politica/liderancas-decidem-bloquear-br-163-em-sorriso-para-pressionar-o-governo-a-resolver-crise-no-hospital-regional